sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Confira as Matérias:


I - Correio Nagô

Mestrandos do CIAGS/UFBA realizam Residência Social em Angola



#5- As impressões iniciais de Kaluh sobre Luanda


Antes de ir direto ao assunto, faço aqui um registro de uma amiga de viagem que me acompanha desde o início e que divide esses momentos em Luanda. Na verdade de um grupo de amigos, mas em especial desta e de outro amigo que me acompanham nesta caminhada. Em alguns momentos eles podem aparecer na história, por enquanto vou resguardar os nomes para um momento oportuno.

 Não foi fácil, mas conseguimos chegar até aqui com muito esforço e colaboração de muita gente. Somos um povo solidário e a ajuda mutua sempre fez parte do nosso modo de vida. Temos um imaginário fantástico sobre a solidariedade africana e esse conjunto de ideias sempre me fez imaginar e querer conhecer África.

Durante a viagem tudo ocorreu de forma tranquila. Apesar de cansativa, já que temos que atravessar o oceano Atlântico. Fomos recepcionados por um lindo nascer do rei sol. Retornar para casa e ser presenteado com aquelas imagens é algo que muito me emocionou. Encantado pela beleza de Luanda, ainda tive a surpresa de compartilhar aplausos para a tripulação da imensa aeronave que nos proporcionou uma confortável chegada.  


Fiquei muito impressionado com a simplicidade do lugar, os cheiros, as cores das coisas e também da gente negra. Mas prefiro dedicar um momento especial só para falar sobre isso.

#4- A missão de Kaluh

Agora que vocês já sabem um pouco sobre mim, sinto-me a vontade para falar sobre a missão que recebi. Por acreditar que não estamos nesse mundo por acaso, perceber e realizar uma missão dá sentido à nossa vida. Se você ainda não esta nessa etapa da vida, não se desespere e vá à luta. Com cautela e discernimento logo encontrará.

Podemos reconhecer uma missão através de várias formas. Para algumas pessoas pode surgir a partir de um sonho onde é projetado algo a ser feito. Pode ser também através de uma vontade “pessoal” que surge e se perpetua de forma inexplicável e inquestionável. Ou ainda de forma hereditária e involuntária, onde os laços familiares designam e convencem sobre o que se deve fazer.


Em alguns momentos podemos até fraquejar, pois lutar por uma missão não é tarefa fácil. Encontramos aliados na trajetória e devemos agradecer-lhe “um bucado”. Também tropeçamos em pessoas que dificultam a nossa caminhada e ainda assim lhe somos gratos por colocar-nos a teste se aquela é realmente uma missão factível (possível). Quando refletimos, chegamos a conclusão de que caminhamos no rumo certo. Afinal, pra frente é que se anda!

A nossa missão nunca vem pronta (de bandeja). Aliás, ela nunca esta pronta e quanto mais achamos que estamos perto dela, ela se afasta um pouco mais. Ela só tem fim quando deixamos de viver. E quando digo viver não é apenas o contrário de morrer, mas sinônimo de sonhar. Sim, você pode até estranhar, mas existem muitas pessoas por ai que estão apenas sobrevivendo, já que abriram mão de sonhar. Imagino que têm seus motivos para estarem assim, mas achei importante separar as pessoas em dois grupos: as que sonham e considero que essas vivem e as que abriram mão de sonhar e apenas caminham sem um objetivo. 

Vou manter segredo em relação à forma como encontrei a minha missão, mas posso assegura-lhes que ela vem sendo cumprida fielmente. Cada etapa conquistada é como um degrau rumo ao topo. Quando seguimos com aliados podemos chegar juntos e evitamos a estranha sensação de comemorarmos sozinhos lá no lugar mais alto.

Estamos sempre numa busca incessante. Nessa etapa da missão, que também não posso revelar ao todo, até porque nem eu mesmo sei defini-la com precisão, parto rumo a Luanda, Angola. Algo me diz que lá é um bom lugar para cumprir essa etapa em busca da minha identidade e da nossa história. Já diziam os mais velhos: “A felicidade do povo negro é uma felicidade guerreira.” 


Então vamos lá navegar nas inúmeras possibilidades e comemoramos cada etapa da nossa vitória.

#3 – Kaluh imagina como será a volta para casa


O nervosismo só aumenta a cada minuto. A razão ainda esta presente, mas a emoção ocupa o seu lugar.  Uma grande vontade em conhecer o novo alem mar. Se é que há algo de novo em voltar para casa, a Mãe África.

Eis que surge uma possibilidade. Após cem, duzentos, talvez trezentos anos, ou mais. Há muito tempo não nos encontramos com tanta proximidade. Quando parti, levei para o Brasil um pouco de ti. Agora retorno a essência do já fui, do que não sou e do que quero voltar a ser. Talvez possa chamá-la de ancestralidade. Uma busca de minha verdadeira história que o “nosso” colonizador comum não nos permitiu conhecer.

De ti, Angola e África, um sequestro e um oceano não mais nos importa, não mais nos separa. Em poucas horas seremos novamente parte de um todo. As estratégias que usaram para nos separar, para nos dividir não têm mais nenhum efeito. A resiliência faz com que consigamos nos unir ainda mais, mesmo com tanta adversidade.

No reencontro não sabemos bem o que fazer, o que falar e como agir.


Seja o que for, como for, nada importa, desde que seja verdadeiro.

sábado, 2 de novembro de 2013

#2 - Kaluh - Voltando para casa

O nervosismo só aumenta a cada minuto. A razão ainda esta presente, mas a emoção ocupa o seu lugar.  Uma grande vontade em conhecer o novo alem mar. Se é que há algo de novo em voltar para casa, a Mãe África.

Eis que surge uma possibilidade. Após cem, duzentos, talvez trezentos anos, ou mais. Há muito tempo não nos encontramos com tanta proximidade. Quando parti, levei para o Brasil um pouco de ti. Agora retorno a essência do já fui, do que não sou e do que quero voltar a ser. Talvez possa chamá-la de ancestralidade. Uma busca de minha verdadeira história que o “nosso” colonizador comum não nos permitiu conhecer.



De ti, Angola e África, um sequestro e um oceano não mais nos importa, não mais nos separa. Em poucas horas seremos novamente parte de um todo. As estratégias que usaram para nos separar, para nos dividir não têm mais nenhum efeito. A resiliência faz com que consigamos nos unir ainda mais, mesmo com tanta adversidade.

No reencontro não sabemos bem o que fazer, o que falar e como agir.

Seja o que for, como for, nada importa, desde que seja verdadeiro.

#1 - Primeiros Passos de Kaluh

Uma viagem pode nos deixar uma série de recordações presentes em nossa memória por um longo período. Ao planejar um destino, buscamos (re)conhecer e/ou (re)encontrar um lugar, pessoas, gostos, sabores e tantas outras coisas que nossos cinco sentidos possam registrar.  As expectativas são as melhores possíveis e a bordo de uma infinidade de possibilidades, seguimos a opção de caminhar.


Enquanto esse caminhar é traçado, executado e vivenciando, esse Diário de Bordo servirá para registrar, refletir e interagir com quem por ele se interessar. Nenhuma promessa de textos exaustivos, afinal é preciso  “viajar” na viagem. Também farei a opção por uma linguagem “leve”, sem o uso de palavras abstrusas (difíceis). Postarei um breve resumo com relatos de cada um dos vinte e nove dias dessa caminhada. Cada palavra, cada imagem, cada passo ficará registrado como momentos único e especial. Repito que aqui trata-se de uma percepção unilateral, com algumas anotações e impressões obtidas à partir do olhar de um viajante.

Não sabemos muito bem por onde começar. Há sempre uma preocupação em resguardar momentos íntimos das pessoas que encontramos nessa caminhada. Questões éticas fazem com que não haja uma exposição de situações constrangedoras. O otimismo e a ideia de que nada acontece por acaso nos faz tomar uma atitude de relatar apenas os acontecimentos mais positivos. Quando assim não fizer, a certeza de que aquela experiência considerada “ruim” servirá para o crescimento pessoal e profissional. Não só de quem vos escreve, mas também de quem dedicou um pouco do seu tempo para acompanhar o que aqui foi escrito.

Na navegação, o diário de bordo é utilizado para registro de acontecimentos considerados importantes. Em outros casos, as anotações servem para registrar possíveis problemas que possam ocorrer durante a viagem. No nosso caso, chamamos de diário de bordo o conjunto de experiências relatadas no caderno. Posteriormente, essas anotações podem ser transcritas e compor textos para compartilhamento através das redes sociais (internet).